Comportamento

Pesquisa revela que jovens seguem otimistas na busca por um relacionamento, mesmo durante a quarentena

Entre pessoas com mais de 55 anos a percepção é diferente e a carência menor

Tem coisas que acontecem de repente e, sem mais nem menos, deixam aquela sensação amarga de solidão entre as paredes dos lares que se tornaram refúgio em meio a pandemia do coronavírus. Por mais que a descrença de ser surpreendido por uma paixão arrebatadora em meio ao isolamento social seja grande, a tecnologia está aí para provar que o amor não entra em quarentena.

Em uma rotina até então marcada pelo imediatismo, a pandemia chegou para desacelerar e, para os brasileiros, o isolamento social serviu para aguçar a criatividade na hora da conquista. É o que revela o aplicativo de relacionamentos The Inner Circle, que realizou uma pesquisa com 1 mil brasileiros, solteiros e abertos a um relacionamento. O estudo O Cenário dos Encontros analisou profundamente como as pessoas solteiras estão se sentindo e se comportando enquanto navegam neste novo território das paqueras, e apontou que, mesmo à distância, homens e mulheres continuam otimistas e animados quando o assunto é a busca por um amor.

Com o confinamento, a solidão aperta para os solteiros e nada como usar a tecnologia a seu favor para encontrar o par ideal. Prova de que os novos encontros virtuais estão realmente sendo levados a sério é que dois em cada cinco (42%) solteiros estão otimistas que é possível encontrar um parceiro de longo prazo durante a crise, apesar de o ânimo ser maior entre os mais jovens. 33% das pessoas na faixa etária de 18 a 34 anos admitiram que é provável, mesmo que pouco, que eles criem vínculos com um match em um app de relacionamento durante o distanciamento social. Eles também estão mais carentes durante a pandemia e isso fez com que quisessem mais um parceiro(a) do que queriam anteriormente (35%).

Já os brasileiros mais maduros são mais céticos e tranquilos para enfrentar o período sem um amor. Entre eles, a expectativa de encontrar um amor verdadeiro é um pouco menor, 26% entre 34-54 anos e 22% para quem tem mais de 55 anos. A turma de 55+ também mostra ser menos carente, já que apenas 13% responderam que a pandemia fez com que quisessem mais um parceiro(a) do que queriam anteriormente .

E uma curiosidade nesse cenário é que grande parte dos mais jovens, que geralmente levam a fama de mais “saidinhos” quando o assunto é paquera, se mostram mais focados que os mais velhos. Dos participantes da pesquisa, 25% com idades entre 18 e 34 anos conversam com apenas uma pessoa nos apps de relacionamento, investindo todas as fichas no match. Já no grupo entre 35 e 54 anos e 55+, 20% apostam no bate-papo somente com uma pessoa.

Encontros à distância

Embora os brasileiros tenham menos encontros agora, eles definitivamente ainda estão se relacionando. Ao contrário de solteiros em outras partes do mundo que estão achando sem sentido paquerar durante a pandemia, os brasileiros vêm achando isso interessante (26%) e divertido (24%). No Reino Unido, onde a pesquisa também foi aplicada, os ingleses estão menos animados. 33% disseram que os encontros agora não são prioridade e 20% acreditam que a paquera virtual é desafiadora, e realmente pode ser, afinal como manter o contato com o match sem a previsão de um encontro cara a cara?

Enquanto as mensagens de texto ainda dominam na hora da sedução, tendo os chats dos aplicativos de relacionamento (65%) e o WhatsApp (56%) como principais ferramentas, os brasileiros também têm utilizado as chamadas de vídeo (44%) e as ligações telefônicas (30%) para manter a chama da paquera acesa. Na região centro-oeste (54%), por exemplo, os solteiros são grandes fãs da vídeo-chamada, já os da região norte (26%) ainda preferem trocar mensagens.

David Vermeulen, fundador e CEO do The Inner Circle

“Os brasileiros costumam ser mais abertos a paquera e nosso estudo provou que eles continuam com o mesmo sentimento, mesmo durante a quarentena. A tecnologia é uma importante aliada neste momento e pode ajudar os solteiros a se conectarem de verdade e encontrarem um amor enquanto ainda estão em casa”, comenta David Vermeulen, fundador e CEO do The Inner Circle .

Sem a possibilidade de contato humano imediato e com um foco renovado em conversar, três em cada cinco (76%) solteiros brasileiros acreditam que a COVID-19 fez as pessoas se preocuparem mais em encontrar uma conexão e quase a metade (46%) acha que isso ajudou a combater o mau comportamento nos encontros. 46% das mulheres também disseram que, com o relacionamento online, não há pressão para que o encontro aconteça logo, o que lhes dá mais tempo para criar intimidade com o novo crush. Graças a isso, homens (36%) e mulheres (40%) afirmaram que agora têm conversas mais significativas, e acreditam que as pessoas estão, em geral, mais simpáticas (27%).

Uma coisa é certa: encontros reais não vão faltar quando a quarentena finalmente terminar. Oito em cada 10 (81%) solteiros que estão trocando mensagens com alguém durante a pandemia acreditam que eles vão sim seguir com o date após o isolamento.

Nota: O estudo foi realizado pela Opinium, em nome do The Inner Circle. Uma pesquisa online foi realizada entre 8 de abril de 2020 e 14 de abril de 2020. Os entrevistados incluíram 1.005 adultos brasileiros, solteiros e abertos a um relacionamento.

Sobre o The Inner Circle:  http://www.theinnercircle.co/ 

Lica Gimenes

Lica Gimenes

Colunista social de saúde e bem-estar no Portal Referência, Lica Gimenes é formadora de opinião em Ribeirão Preto. É colunista na Revista Dicas Mulher e tem ampla experiência em coordenação de eventos corporativos, análise de mercado, tendências de mídia e planejamento estratégico.

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